Avaliação Psicológica em Paralisia Cerebral



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Algumas particularidades precisam ser respeitadas e levadas em conta ao avaliarmos uma criança com lesão cerebral. Cabe ao profissional ter clareza dos propósitos, conhecimentos, habilidade e adequação das técnicas e instrumentos de investigação a serem utilizados, como também conhecimento das possíveis alterações e limitações decorrentes da lesão cerebral, para que não sejam cometidos equívocos ao concluir-se o psicodiagnóstico.

Em muitas das crianças com lesão cerebral encontram-se alterados os canais formais de expressão e comunicação com o meio. Sendo assim, o profissional por vezes precisa criar estratégias a fim de que a criança possa se comunicar, e então possamos interagir e melhor entender o que se passa com ela.

Devemos auxiliá-la a nos mostrar o seu potencial e a comunicar-se conosco utilizando de recursos que lhe possibilitem compreender o que está sendo solicitado, a representar (através de gestos, mímicas, fala, expressão gráfica ou ação) o que compreende e ou quer realizar.

1- Particulares na Criança Portadora de Paralisia Cerebral

É importante reconhecer que cada tipo de paralisia cerebral tem um curso próprio de desenvolvimento, cuja apresentação clínica pode levar algum tempo até estabilizar-se (Eicher e Batshaw, 1.993), e dependendo da localização das lesões e áreas do cérebro que foram afetadas, as manifestações podem ser diferentes.

As crianças portadoras de paralisia cerebral apresentam muitas vezes um bom desenvolvimento da cognição e da linguagem; entretanto, a verbalização pode estar restrita ou ausente, tanto em função de comprometimento do aparelho fono-articulatório (anartrias-disartrias), quanto ao nível cortical (apraxias e afasias); outras apresentam linguagem pobre possivelmente associada a alterações cognitivas (retardo mental em diversos graus) ou ainda relacionadas com aspectos emocionais (Pfeifer, 1994).

O quadro de paralisia cerebral pode vir associado a distúrbios visuais de origem motora ou cortical, problemas auditivos, alterações e quadros menos freqüentes como microcefalia, hidrocefalia, epilepsia, etc.

Particularidades podem ser consideradas ao avaliarmos a criança com Paralisia Cerebral, adequando a escolha da técnica às suas limitações para que desta forma possamos chegar a um resultado que seja coerente à sua performance e potencial, e posteriormente traçamos linhas de orientação ao tratamento..

Através dos vários métodos a que tem acesso, acrescido das informações trazidas pelos pais na entrevista, o psicólogo poderá analisar quais os canais de comunicação preservados na criança e junto dos demais profissionais da equipe, traçar diretrizes que facilitem à criança ser bem sucedida nas terapias e em casa.

Muitas das técnicas e testes utilizados por ocasião da avaliação não são tão apropriados à criança portadora de necessidades especiais, como são para os demais. Entretanto, é esperado do psicólogo , da área de reabilitação, experiente e conhecedor das patologias, possibilidades e limitações dos testes, obter informações revelantes com a sua utilização, sempre na tentativa de se conhecer e melhor entender o perfil dessa criança.

2- Métodos de Avaliação

• Avaliação psicológica , consta do estudo do prontuário médico da criança, entrevista com os pais e posteriormente, a depender da idade cronológica, quadro clínico da criança e queixa inicial, utilização de recursos, como: Observação Lúdica, Escalas de Desenvolvimento Infantil, Ludodiagnóstico, Testes Projetivos, Testes Psicométricos, Testes Neuropsicológicos, como também Observações em terapias e discussões do caso com outros profissionais .

• Escalas de Desenvolvimento Infantil - possibilitam ter uma noção do Estágio de Desenvolvimento Global no qual se encontra a criança, no tocante das áreas da Motricidade, Adaptação, Linguagem e Sociabilidade. Obtendo se QD (Quociente de Desenvolvimento), analisamos possíveis defasagens em áreas específicas do desenvolvimento, o que possibilita traçar um plano de orientação junto aos familiares, destinado a proporcionar um ambiente familiar mais facilitado e continente às necessidades da criança, em parceria com as condutas da equipe

• Métodos Psicológicos - possibilitam medir as aptidões do sujeito numa determinada área de capacidade, apresentando-lhe questões a serem respondidas ou tarefas a serem executadas. O desempenho atingido pelo sujeito no teste é produto de vários fatores, incluindo a sua experiência, e isso refletir-se-á no resultado final do mesmo. Em geral, o QI ( Quociente Intelectual )e a Idade Mental, pouco dizem à respeito do que o sujeito é capaz de realizar. A combinação de técnicas, alguns testes e/ou subtestes, poderá auxiliar para uma melhor compreensão do padrão de capacidades do indivíduo e, assim, averiguar sua performance global, a nível verbal e execução, e então melhor entender o seu perfil cognitivo. Cabe dizer que a utilização de alguns testes ou provas específicas, por vezes, possibilita ao psicólogo tomar conhecimento de possíveis alterações ou disfunções cognitivas, o que exigirá da equipe uma abordagem diferenciada quanto ao tratamento, escolaridade e situações de rotina dessa criança.

• Avaliação Neuropsicológica - os métodos a serem utilizados dependem da formação de base do profissional. A avaliação Neuropsicológica não é apenas a aplicação de testes psicométricos e neuropsicológicos organizados em baterias, mas também da interpretação cuidadosa dos resultados somada à análise da situação atual do sujeito e contexto onde vive. O resultado final deve fornecer um perfil neuropsicológico do paciente que, combinado à avaliação dos aspectos neurológicos, psicológicos e sociais, permitirá a orientação sobre o melhor aproveitamento de suas potencialidades. O psicológico interessado nessa área deve estar ciente da complexidade de cada função e das formas de avaliá-la através de testes. Inteirado destas questões, aprofundar seus estudos sobre o funcionamento cerebral e as diversas patologias do Sistema Nervoso Central. Diante do resultado quantitativo obtido através dos testes, faz-se necessária uma avaliação qualitativa detalhada, estudos das funções intelectuais implicadas em cada um dos itens de cada prova, com a finalidade de contribuir nas recomendações e condutas no programa de reabilitação dessa criança.

• Testes Projetivos - também conhecidos como Testes de Personalidade; a escolha dependerá das limitações inerentes ao quadro clínico da criança (nível cognitivo, nível motor, fala, etc.). Os dados obtidos através da entrevista com os pais, observação lúdica, associados às técnicas projetivas, possibilitam ao psicólogo traçar com maior segurança o perfil psicológico do indivíduo em questão. A técnica projetiva representa um papel singular na avaliação psicológica, pois abarca a dimensão da fantasia e da imaginação, não aferidas por outras técnicas de investigação psicológica. Contudo, uma única técnica não pode avaliar a personalidade, as percepções, os valores e as atitudes das crianças, sendo prudente uma abordagem de múltiplas medidas, razão pela qual podemos utilizar os inquéritos que constituem uma técnica de projeção verbal dirigida para complementar as informações obtidas através do grafismo.

• Ludodiagnósticos - (hora lúdica diagnósticos - Affonso, 1995) - contribuição da teoria piagetiana à hora lúdica (usualmente analisada na perspectiva de seus aspectos afetivos - Aberastury, 1962), e que nos permite ter noção das relações entre afeto e cognição. Por meio da hora-lúdica, podem-se avaliar representações dos conflitos básicos da criança do ponto de vista evolutivo (comportamentos adequados ou não para a idade), quanto do ponto de vista patológico (ansiedade, defesas predominantes, relações objetais, etc.). Há que se considere no Ludodiagnóstico a presença ou não, no comportamento da criança e em seu discurso, da construção adequada das noções espaços-temporais e casuais, tal como entendidas por Piaget em sua teoria do conhecimento, pois pode nos levar a determinar se o problema é ou não de cunho afetivo. O Ludodiagnóstico nos permite ter, uma análise dos aspectos cognitivos subjacentes ao comportamento da criança em sessões ludoterápicas, dando-se ênfase também a construção do real pela criança. Sem sair da técnica tradicional, podemos utilizar alguns aspectos da teoria piagetiana como um elemento a mais no entendimento da sessão clínica. A intervenção do terapeuta deve estar adequada ao momento da criança também do ponto de vista cognitivo. Ao invés de dar à criança interpretação de cunho puramente afetivo, podemos com tais considerações verificar que há casos em que as interpretações, tal como sugeridos pela técnica clássica, podem ser inadequadas, pois as ações da criança podem estar denunciando problemas de natureza cognitiva que deveriam ser levados em conta. A observação de uma criança numa interação lúdica pode fornecer dados ao profissional para que possa considerar aspectos cognitivos mais relevantes para a prática terapêutica. A organização das atividades lúdicas por uma criança, em qualquer circunstância, e, portanto, também em situação ludodiagnóstica, depende dos fatores afetivo e cognitivo, na prática implicados, mas por um processo de abstração, analisáveis separadamente.

3- Considerações na Avaliação Psicológica

Cabe ao psicólogo tomar conhecimento dos períodos iniciais da vida da criança, devido a sua importância no desenvolvimento e funcionamento cognitivo, fornecendo assim uma visão das formas de pensamento característicos dessa, de modo a contribuir para que se possa identificá-los em situações outras, que não são as de teste. Sabemos que é nas atividades espontâneas e nas que a criança sabe fazer que podemos perceber a existência e a potencialidade de sua inteligência.

A existência de uma estrutura mental não significa que ela esteja sendo aplicada para todos os objetos ou situações que lhe sejam apresentadas. Ela pode estar muito desenvolvida para algumas coisas e para outras não. Vários fatores podem estar interferindo nisto. Um deles é a motivação o interesse , outro, a oferta que o ambiente, a vida estão lhe dando para aplicar tal estrutura nessa ou naquela situação.

Além disso, há que se considerar as circunstâncias em que a avaliação é realizada. Uma sala estranha, de um lugar estranho, com uma pessoa também estranha pode gerar inibição e prejudicá-la.

É importante que se investigue, ao tratar-se do desenvolvimento intelectual da criança, saber quem ela é, como pensa, para que ou porque está agindo de determinada maneira e onde e em que momento ela está. Quando se fala em desenvolvimento intelectual normal, buscam os comportamentos e características de uma coletividade, mas sempre se está diante de individualidades, o que há que se considere ainda mais ao tratar-se da criança com necessidades especiais.

O indivíduo é um ser integrado; não podemos, assim, estudar seu crescimento sem levarmos em conta seu desenvolvimento. Da mesma forma, não podemos falar em desenvolvimento e separarmos os aspectos cognitivos, afetivos, motores, sociais e culturais.

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